Gostaria de abrir um fórum que tratasse sobre essa frase e quais as aspirações do eu-lírico ao dizê-lo. para situá-los do contexto:
"Maior Abandonado
Cazuza
Eu tô perdido
Sem pai nem mãe
Bem na porta da tua casa
Eu tô pedindo
A tua mão
E um pouquinho do braço
Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas poções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam, me interessam
Eu tô pedindo
A tua mão
Me leve para qualquer lado
Só um pouquinho
De proteção
Ao maior abandonado
Teu corpo com amor ou não
Raspas e restos me interessam
Me ame como a um irmão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam"
Não sei se esse é o melhor lugar pra iniciar um fórum de discussão, mas...
sábado, 30 de maio de 2009
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Parece bem parecido com o poema do Shakespeare ´(post anterior ao do O.Welles). No poema, é uma mentira consentida. Aqui, parece expressar o estado de alguém tão carente que se contenta com restos, raspas, migalhas, ir pra qualquer lado e..mentiras. Sinceras: no sentido de que mesmo que não expressem o que o "mentiroso" realmente sente, ao menos oferece o benefício da ilusão de estar sendo amado...
ResponderExcluirA intenção de agradar e causar algum "bem" é que é sincera.
Contenta-se com a mentira quem não se acha capaz ou merecedor da verdade.
ResponderExcluirNo caso vejo também como alguém que se contenta com mentiras pois não espera muito mais do que "restos e raspas".
Uma mentira nunca é sincera, mesmo que sua intenção seja sinceramente boa ou honesta.
A única coisa que poderia adjetivar uma mentira como sincera e a visão daquele que a escuta. Se realmente se contenta com uma mentira, se essa lhe basta, isso é a coisa mais sincera que você terá. Sem nada mais sincero com o que a comparar, torna-se uma "mentira sincera", e tal antítese torna-se possível.