Gostaria de abrir um fórum que tratasse sobre essa frase e quais as aspirações do eu-lírico ao dizê-lo. para situá-los do contexto:
"Maior Abandonado
Cazuza
Eu tô perdido
Sem pai nem mãe
Bem na porta da tua casa
Eu tô pedindo
A tua mão
E um pouquinho do braço
Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas poções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam, me interessam
Eu tô pedindo
A tua mão
Me leve para qualquer lado
Só um pouquinho
De proteção
Ao maior abandonado
Teu corpo com amor ou não
Raspas e restos me interessam
Me ame como a um irmão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam"
Não sei se esse é o melhor lugar pra iniciar um fórum de discussão, mas...
sábado, 30 de maio de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
"Verdades e mentiras"

Este é o título que foi adotado no Brasil para F for fake de Orson Welles, produção de 1974.
Não se trata somente do melhor filme sobre o assunto fraude/falsificação/mentira/realidade-ficção e nem é apenas o mais genial filme de Welles: é simplesmente uma das maiores obras-primas do cinema mundial.
Vc pode ler mais a respeito aqui.
domingo, 24 de maio de 2009
alô, alô
..tem alguém aí?
Onde estão os outros autores deste blog?
Orkut? MSN? Twitter? Facebook? Myspace?
Apareçam!!!!
E por favor, sugiram também novas cores para este layout que ele está muito sem graça...
Onde estão os outros autores deste blog?
Orkut? MSN? Twitter? Facebook? Myspace?
Apareçam!!!!
E por favor, sugiram também novas cores para este layout que ele está muito sem graça...
quinta-feira, 21 de maio de 2009
amor + mentiras = amor de mentira?
Soneto 138 de Shakespeare:
"Quando jura ser feita de verdades,
Em minha amada creio, e sei que mente,
E passo assim por moço inexperiente,
Não versado em mundanas falsidades.
Mas crendo em vão que ela me crê mais jovem
Pois sabe bem que o tempo meu já míngua,
Simplesmente acredito em falsa língua:
E a patente verdade os dois removem.
Por que razão infiel não se diz ela?
Por que razão também escondo a idade?
Oh, lei do amor fingir sinceridade
E amante idoso os anos não revela.
Por isso eu minto, e ela em falso jura,
E sentimos lisonja na impostura."
"Quando jura ser feita de verdades,
Em minha amada creio, e sei que mente,
E passo assim por moço inexperiente,
Não versado em mundanas falsidades.
Mas crendo em vão que ela me crê mais jovem
Pois sabe bem que o tempo meu já míngua,
Simplesmente acredito em falsa língua:
E a patente verdade os dois removem.
Por que razão infiel não se diz ela?
Por que razão também escondo a idade?
Oh, lei do amor fingir sinceridade
E amante idoso os anos não revela.
Por isso eu minto, e ela em falso jura,
E sentimos lisonja na impostura."
quarta-feira, 20 de maio de 2009
da série grandes imposturas

Stephen Glass era, em 1998, um jovem e promissor jornalista americano que teve 27 de suas 41 matérias (nas quais citava fontes, lugares e fatos inexistentes) desmascaradas. Glass trabalhava na The new Republic, um das mais respeitadas revistas de Washington, conhecida por ser a "revista que o presidente lê em suas viagens de avião".
Demitido e afastado da carreira jornalística, Glass terminou a faculdade de direito e em 2003 publicou The fabulist, seu primeiro romance, cujo protagonista chama-se Stephen Aron Glass.
Na época do lançamento do romance, o autor concedeu uma entrevista ao progama 60 minutes, da CBS News. (Vc pode ler alguns trechos dessa entrevista aqui).
O filme Shattered Glass (que aqui no Brasil ganhou o título de "O preço de uma verdade") é uma ficção baseada na história real das ficções inventadas pelo (então)jovem impostor (ou fabulista?).
Ainda no ano de 2003 e pouco tempo depois do retorno de Glass aos holofotes, outro escândalo abalaria o meio jornalístico americano: o caso de Jayson Blair (leia o texto que saiu no Observatório da Imprensa).
Outros casos na mesma linha e que ganharam destaque foram os dePatrícia Smith - finalista do Pulitzer - e Janet Cooke. Leia mais aqui sobre as façanhas delas e de Glass.
terça-feira, 19 de maio de 2009
A decadência da mentira I

A decadência da mentira é um ensaio de Oscar Wilde que foi publicado em 1891.
Wilde põe em cena dois personagens que dialogam sobre arte: Viviano e Cyrillo.
Viviano apresenta ao amigo algumas das idéias que compõem um artigo que está a escrever e cujo nome é "A decadência da mentira"*:
Uma das causas principais da banalidade de quase toda literatura atual é certamente a decadência da mentira considerada como uma arte, uma ciência e um prazer social. Os antigos historiadores apresentavam-nos deliciosas ficções sob a forma de fatos; o moderno romancista oferece-nos fatos estúpidos à guisa de ficções.
Wilde põe em cena dois personagens que dialogam sobre arte: Viviano e Cyrillo.
Viviano apresenta ao amigo algumas das idéias que compõem um artigo que está a escrever e cujo nome é "A decadência da mentira"*:
Uma das causas principais da banalidade de quase toda literatura atual é certamente a decadência da mentira considerada como uma arte, uma ciência e um prazer social. Os antigos historiadores apresentavam-nos deliciosas ficções sob a forma de fatos; o moderno romancista oferece-nos fatos estúpidos à guisa de ficções.
(...)
Dificilmente se avaliaria o dano que faz à literatura o errôneo ideal da nossa época! Tem-se uma maneira desprezível de falar do "mentiroso nato e do poeta nato". Em qualquer dos casos, é um detrimento. A mentira e a poesia formam artes - artes que, como Platão entendia, têm a sua conexão e requerem o estudo mais atento, a mais desinteressada devoção. Possuem a própria técnica, como a pintura e a escultura - mais materiais - têm seus sutis segredos de forma e de cores, seus toques de mão e métodos refletidos. Reconhece-se o poeta pela sua bela música e o mentiroso pelos seus ricos e ritmados excessos - aos quais não bastaria em caso algum a inspiração temerária do momento; nisto, como em tudo, a perfeição é precedida pela prática. Hoje, porém, enquanto a moda de fazer versos vai se tornando excessivamente comum e deve ser arrefecida, a de mentir quase cai em descrédito. Mais de um jovem começa a vida com um dom exagerativo natural. Se o educam em círculos simpáticos e do mesmo espírito, ou pela imitação dos melhores modelos, pode-se tornar qualquer coisa de grande, de prodigioso. Em geral, porém, o jovem não alcança coisa alguma. Ou cai em negligentes hábitos de exatidão, ou começa a frequentar os velhos e bem-informados. Uma ou outra alternativa é fatal à sua imaginação, como aliás seria à imaginação de quem quer que seja. Em pouco tempo adquire a malsã, a mórbida faculdade de dizer a verdade: começa a verificar todas as afirmações feitas em sua presença, não hesita em contradizer os mais moços, e muitas vezes acaba por escrever romances tão fiéis à vida que perdem toda verossimilhança.
Aí está um exemplo que, longe de ser o único, é tomado entre muitos outros. E se nada pode reprimir, ou, ao menos, modificar essa monstruosa idolatria do fato, a Arte tornar-se-á estéril e a Beleza desaparecerá da terra.
* Utilizamos aqui a tradução de João do Rio (Imago, 1994)
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